O Latvs é uma plataforma brasileira para revisão sistemática e síntese de literatura científica. A ideia central é simples: as etapas de uma revisão — buscar, triar, ler, sintetizar, escrever — costumam viver em cinco ferramentas diferentes, e cada passagem entre elas custa tempo e introduz erro. No Latvs, elas vivem num projeto só.
Este artigo é um tour guiado, ferramenta por ferramenta, na ordem em que elas aparecem num fluxo real de pesquisa. Se você quer entender o que o Latvs faz antes de criar uma conta, é por aqui.
Visão geral do fluxo
Busca → Base de referências → Triagem → Síntese (I.A.)
↓
Manuscrito ← Drive ← Tradutor
Cada projeto no Latvs reúne todas essas etapas. A equipe inteira trabalha sobre o mesmo estado: o que um revisor decide na triagem, o outro vê na hora.
1. Busca: várias bases, uma query
A busca do Latvs consulta múltiplas bases científicas de uma vez: OpenAlex, Crossref, PubMed, Europe PMC, arXiv, Semantic Scholar e CORE. Em vez de repetir a pesquisa em sete sites — cada um com sintaxe própria —, você roda uma busca e compara resultados lado a lado.
O detalhe que mais economiza tempo é o construtor de query assistido por I.A.: você descreve o que procura em linguagem natural e ele monta a query adaptada à sintaxe de cada base (MeSH para PubMed, campos do arXiv, e assim por diante). Quem já sofreu adaptando uma string de busca de uma base para outra sabe o quanto isso dói — escrevemos sobre o tema em strings de busca em bases científicas.
Na prática, isso muda o ritmo da fase de busca. O ciclo tradicional — abrir cada base, adaptar a string, exportar, juntar arquivos, deduplicar — vira uma sessão só: você refina a query, vê o que cada fonte retorna e decide o que segue adiante. E os resultados que interessam vão direto para a base de referências do projeto, sem exportar/importar arquivos no meio do caminho.
2. Bases de referências e triagem
A base de referências é onde a revisão sistemática de fato acontece. Cada projeto pode ter múltiplas bases, e elas aceitam import por CSV, RIS e BibTeX — então referências vindas de outras ferramentas (ou de buscas feitas fora do Latvs) entram sem fricção.
A triagem funciona no modelo include/exclude com critérios definidos: você cadastra os critérios de inclusão e exclusão do protocolo, e cada decisão fica vinculada ao critério que a motivou. Isso tem duas consequências práticas:
- Rastreabilidade — meses depois, dá para saber não só que um artigo foi excluído, mas por quê;
- Relatório PRISMA mais fácil — os números do fluxograma saem do registro de decisões, não de uma contagem manual em planilha.
Como a triagem acontece dentro do projeto, a equipe inteira trabalha sobre o mesmo conjunto: não existe “a planilha do fulano” desatualizada em relação à “planilha-mestra”. Cada revisor vê o estado atual e o histórico de decisões.
Se você hoje usa Rayyan para essa etapa, fizemos uma comparação direta em Latvs vs. Rayyan. E se quer aprofundar o método em si — critérios, fases, conflitos —, temos um guia prático de triagem no blog.
3. Síntese de literatura com I.A.
Com os artigos incluídos, começa a parte mais demorada de qualquer revisão: ler, extrair e cruzar. A ferramenta de síntese do Latvs assiste esse trabalho em etapas explícitas:
- Upload e parse — você sobe os PDFs e o sistema extrai o conteúdo;
- Termos — define os termos e conceitos que guiam a análise;
- Resultado — a I.A. produz a síntese a partir dos textos e dos termos;
- Painel — você explora o resultado, navegando entre os achados e os artigos de origem.
O ponto importante: a I.A. assiste, não substitui. Cada etapa é visível e controlável — você vê o que entrou, o que foi pedido e de onde saiu cada parte do resultado, em vez de receber um texto pronto de caixa-preta.
4. Tradutor acadêmico com glossário
Pesquisador brasileiro vive entre dois idiomas: lê em inglês, escreve em português (ou vice-versa), e sofre com tradutores genéricos que vertem termo técnico errado. O tradutor do Latvs é acadêmico por desenho, com glossário por área — termos de domínio são traduzidos de forma consistente, do jeito que a literatura da sua área usa, em vez da primeira acepção do dicionário.
Isso importa mais do que parece: numa revisão, o mesmo termo aparece dezenas de vezes, no protocolo, na síntese e no manuscrito. Tradução inconsistente do vocabulário central é o tipo de detalhe que um parecerista nota — e que um glossário travado por área evita de saída.
5. Drive: os arquivos moram com o projeto
O Latvs tem um drive de arquivos com dois escopos: o do projeto (compartilhado com a equipe) e o pessoal. Protocolo da revisão, PDFs, planilhas de extração, material suplementar — tudo fica no contexto onde é usado, em vez de espalhado entre o Google Drive de cada membro.
6. Manuscrito: escrever onde os dados estão
A etapa final de qualquer revisão é o texto. O editor de manuscritos do Latvs fecha o ciclo: você escreve dentro do projeto, ao lado das referências, da síntese e dos arquivos. E quando precisa do parecer de alguém de fora — orientador, coautor externo, parecerista informal — o manuscrito pode ser compartilhado por link público, sem exigir que a pessoa crie conta.
Adeus, revisao_final_v3_comentarios_do_orientador(2).docx.
7. Assistente de I.A.: o fio que costura tudo
Por cima de todas as ferramentas há um assistente de I.A. com acesso a elas. Em vez de só responder perguntas, ele opera dentro do seu projeto: consulta suas referências, sua síntese, seus arquivos. É a diferença entre perguntar algo a um chatbot genérico — que não sabe quais artigos você incluiu nem o que sua síntese encontrou — e perguntar a alguém que está olhando para o mesmo projeto que você.
Privacidade, idioma e preço
Três pontos práticos que costumam decidir a adoção:
| Aspecto | Como é no Latvs |
|---|---|
| Dados | Conformidade com a LGPD; dados hospedados na União Europeia |
| Idioma | Interface em português e inglês |
| Preço | Plano grátis sem cartão de crédito; planos pagos a partir de R$ 39/mês |
Os detalhes de cada plano estão na página de planos.
Por onde começar
A forma mais rápida de entender o Latvs é montar um projeto real:
- Crie uma conta grátis — sem cartão;
- Crie um projeto e rode uma busca sobre o seu tema;
- Importe (ou envie da busca) as referências e faça uma triagem-piloto com meia dúzia de artigos;
- Suba dois ou três PDFs e experimente a síntese.
Em uma tarde dá para percorrer o fluxo inteiro, do PDF ao rascunho de manuscrito. E se quiser revisar o método antes de mexer na ferramenta, nosso guia de como fazer revisão sistemática cobre o passo a passo — protocolo, busca, triagem, síntese e relato.