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Alternativas ao Rayyan: 6 ferramentas de triagem e revisão

O Rayyan virou quase sinônimo de triagem de artigos — e merecidamente: é uma das ferramentas mais usadas do mundo, tem plano gratuito e resolve bem a fase de seleção. Mas ele não é a única opção, e dependendo do seu protocolo, do seu orçamento e de quanto do fluxo você quer cobrir numa ferramenta só, outra escolha pode servir melhor.

Este guia compara seis ferramentas: Rayyan, Covidence, DistillerSR, ASReview, Abstrackr e Latvs. Aviso de transparência: o Latvs é o nosso produto. Por isso mesmo, o compromisso aqui é apontar os pontos fortes reais de cada concorrente e admitir onde ainda não chegamos.

Tabela comparativa

FerramentaFocoIdiomaCustoTriagem cegaI.A. na triagemAlém da triagemMaturidade
RayyanTriagemInglêsGrátis; planos pagos p/ avançado✅ rankingAlta
CovidenceRevisão (triagem + extração)InglêsPagoParcialExtração, avaliação de qualidadeAlta (padrão Cochrane)
DistillerSRRevisão enterpriseInglêsPago (caro)Extração, workflows configuráveisAlta
ASReviewTriagem com active learningInglêsGrátis (open-source)Parcial✅ active learningMédia (acadêmica)
AbstrackrTriagemInglêsGrátis✅ prediçãoAntiga, simples
LatvsFluxo completoPortuguês e inglêsGrátis; pagos a partir de R$ 39/mês❌ (ainda)✅ critérios + assistenteBusca, síntese, tradução, manuscritoNova (beta)

Agora, ferramenta por ferramenta.

1. Rayyan — o ponto de partida

O Rayyan continua sendo a referência pra quem precisa só de triagem. Plano gratuito funcional, triagem cega entre revisores (essencial em protocolos com dois revisores independentes), ranking por I.A. que aprende com as suas decisões e até app mobile. A adoção massiva também conta: é fácil achar tutorial, e é provável que seus coautores já o conheçam.

Limites: a interface é em inglês, o escopo termina na triagem (busca, extração, síntese e escrita ficam fora) e recursos avançados exigem planos pagos. Fizemos um comparativo dedicado Latvs vs Rayyan se você está decidindo entre os dois.

Melhor pra: equipes que precisam de triagem cega madura e gratuita, sem necessidade de cobrir o resto do fluxo.

2. Covidence — o padrão das revisões Cochrane

O Covidence é provavelmente a ferramenta mais “institucional” da lista: é o padrão usado em revisões Cochrane e cobre mais que a triagem — inclui extração de dados e avaliação de qualidade dos estudos, com fluxo de resolução de conflitos entre revisores bem amarrado. É uma plataforma madura, estável e validada.

O outro lado: é paga (algumas universidades têm licença institucional — vale checar a sua biblioteca antes de assinar), e a interface é em inglês. Pra uma revisão pontual sem licença institucional, o custo pesa.

Melhor pra: revisões formais estilo Cochrane, especialmente se a sua instituição já paga a licença.

3. DistillerSR — o peso-pesado enterprise

O DistillerSR mira outro público: organizações que rodam revisões em volume — indústria farmacêutica, agências de avaliação de tecnologias em saúde, consultorias. É robusto, altamente configurável (workflows customizados, trilhas de auditoria) e tem recursos de I.A. maduros.

A contrapartida é o preço: é uma ferramenta enterprise, cara, com modelo de licenciamento pensado pra organização, não pra pesquisador individual. Interface em inglês. Pra um mestrando ou um laboratório pequeno, é canhão pra matar mosca.

Melhor pra: organizações com orçamento e necessidade de compliance/auditoria formal.

4. ASReview — open-source com active learning

O ASReview é o projeto mais interessante tecnicamente da lista: open-source, desenvolvido em ambiente acadêmico, com active learning de verdade — o modelo reordena a fila de triagem a cada decisão sua, e a proposta é que você encontre a maioria dos artigos relevantes lendo uma fração do total. Pra revisões com milhares de registros, o ganho de tempo pode ser grande. E é gratuito.

Os poréns: exige instalação local e alguma desenvoltura técnica (é mais um software que você roda do que um site que você abre), a interface é em inglês e o escopo é só a triagem — sem extração, síntese ou escrita. O modelo de colaboração entre revisores também é menos direto que no Rayyan ou Covidence.

Melhor pra: pesquisadores com perfil técnico, revisões grandes, e quem valoriza open-source e controle total sobre os dados.

5. Abstrackr — o veterano gratuito

O Abstrackr é um projeto acadêmico gratuito e um dos pioneiros em usar predição por machine learning na triagem. Faz o básico: importa citações, permite triagem colaborativa (incluindo modo duplo-cego) e prediz relevância pra priorizar a fila.

É também o mais antigo e simples da lista: a interface mostra a idade, o desenvolvimento é menos ativo e os recursos pararam no essencial. Inglês apenas.

Melhor pra: quem quer triagem gratuita com predição e não se importa com uma interface datada — ou quer um plano B gratuito ao Rayyan.

6. Latvs — fluxo completo em português

O Latvs parte de uma premissa diferente das cinco anteriores: a triagem é uma etapa, não o trabalho inteiro. A plataforma cobre o fluxo completo da revisão:

  • Busca integrada em 7 bases (OpenAlex, Crossref, PubMed, Europe PMC, arXiv, Semantic Scholar, CORE) com query builder assistido por I.A.;
  • Bases de referências com import CSV/RIS/BibTeX e triagem include/exclude com critérios registrados;
  • Síntese assistida por I.A. sobre os textos completos;
  • Tradutor acadêmico com glossário por área;
  • Drive de arquivos, manuscritos e assistente de I.A. no contexto do projeto.

E é a única da lista com interface e suporte em português (além do inglês), conformidade com a LGPD, dados na UE e preço em real — plano grátis sem cartão e planos pagos a partir de R$ 39/mês, sem variação cambial.

A honestidade que prometemos: o Latvs é novo e está em beta, enquanto Rayyan e Covidence são maduros e validados em milhares de revisões publicadas. Não temos app mobile, ainda não temos triagem cega entre revisores, e nossa comunidade e documentação são menores que as dos veteranos.

Melhor pra: pesquisadores brasileiros e lusófonos que querem busca, triagem, síntese, tradução e escrita num lugar só, em português, pagando em real.

Como escolher

Algumas perguntas encurtam a decisão:

  1. Seu protocolo exige triagem cega com dois revisores? Rayyan (grátis), Covidence ou DistillerSR (pagos). O Latvs ainda não atende esse requisito.
  2. Sua instituição tem licença do Covidence? Use — é maduro e cobre extração também.
  3. Sua revisão tem milhares de registros e você tem perfil técnico? O active learning do ASReview pode economizar semanas.
  4. Você quer o fluxo inteiro — da busca ao manuscrito — em português? Esse é exatamente o caso do Latvs. Se hoje sua revisão vive espalhada em planilhas, gerenciador de referências, tradutor e Word, vale ler por que organizar sua pesquisa num só lugar.
  5. Orçamento zero e necessidade simples? Rayyan gratuito ou Abstrackr resolvem a triagem; o plano grátis do Latvs cobre o fluxo básico completo.

Combinar ferramentas também é legítimo: tem equipe que faz a triagem cega no Rayyan e o resto do fluxo no Latvs — RIS e CSV transitam entre as duas sem dor.

Conclusão

Não existe “a melhor ferramenta”, existe a melhor pro seu protocolo. Se você só precisa de triagem cega madura e gratuita, o Rayyan continua excelente — recomendamos sem reserva. Se sua instituição banca o Covidence, é uma escolha sólida pra revisões formais. ASReview e Abstrackr cobrem bem os nichos open-source e gratuito-simples.

E se você é pesquisador brasileiro ou lusófono e quer parar de costurar cinco ferramentas em inglês pra fazer uma revisão — buscando, triando, sintetizando, traduzindo e escrevendo no mesmo projeto —, o Latvs foi feito exatamente pra você. O plano grátis não pede cartão: teste com a sua própria revisão e tire a prova.